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Secretaria de Estado da Cultura e Companhia de Ópera do RS abrem temporada 2026 com nova superprodução da ópera La Traviata, do compositor italiano Giuseppe Verdi

  • há 2 dias
  • 6 min de leitura

A nova montagem da CORS celebra o primeiro aniversário do Teatro Simões Lopes Neto, os 125 anos de falecimento do compositor, os 200 anos da personagem que inspirou a obra e os 25 anos de carreira de Flávio Leite. As récitas acontecem dias 28, 29, 30 e 31 de março



No dia 27 de março de 2025, a Companhia de Ópera do RS (CORS) foi convidada para inaugurar o novo templo da arte, da cultura e da expressão do Estado, o Teatro Simões Lopes Neto, dando início ao projeto Ópera e Formação em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do RS. Turandot encantou o público, que lotou três sessões, com cenários grandiosos, figurinos e caracterizações impactantes em uma imensa operação de produção: 60 músicos, coro lírico de 45 vozes, onze solistas, regente, diretor cênico, assistentes, maestros preparadores, montadores de orquestra, atores e bailarinos, totalizando quase 200 pessoas na equipe.


Comemorando o primeiro aniversário do novo teatro, a CORS abre sua temporada 2026, intitulada Memória e Identidade, continuando a parceria com a SEDAC-RS com mais uma experiência inesquecível; uma nova superprodução da ópera La Traviata, de Giuseppe Verdi (1813-1901) e Francesco Maria Piave (1810 - 1876). A ópera mais célebre de todo o repertório operístico é também a campeã em número de encenações ano após ano pelo mundo, mesmo passados 173 anos de sua estreia em Veneza. Com concepção e direção cênica de Flávio Leite, comemorando seus 25 anos de carreira iniciada com a mesma ópera em 2001, e direção musical e regência de Marcelo de Jesus (SP) frente à Orquestra Theatro São Pedro, a montagem levará ao palco nos dias 28, 29, 30 e 31 de março (sábado, domingo, segunda e terça) um grande elenco de solistas encabeçado pelas sopranos Ludmilla Bauerfeldt (RJ) e Elisa Machado (RS) alternando-se como a cortesã Violetta Valéry, os tenores Giovanni Tristacci (RS) e Felipe Bertol (RS) interpretando Alfredo Germont  e os barítonos Lício Bruno (RJ) e Roger Bueno (RS) dando vida à Giorgio Germont. Os tenores João Ferreira Filho, Adolfo Amaral e Xavier Quiñonez; os barítonos Oritz Campos, Robert Willian e Vinícius Braga; as mezzo-sopranos Cristine Guse e Carol Braga e o baixo Bruno Mezzomo completam o time de solistas. 

O espetáculo contará, ainda, com a participações da Orquestra Theatro São Pedro, Coro Lírico da CORS com 30 integrantes e os bailarinos da Plural Cia de Dança.


La Traviata – ópera em três atos de Verdi, símbolo máximo de sua atenção constante em explorar dramaticamente personagens complexos e que definiria suas obras, é baseada no clássico da literatura francesa, “A Dama das Camélias”. O livro foi escrito em 1848 por Alexandre Dumas Filho a partir de uma experiência autobiográfica do autor, que se envolveu com a cortesã Marie (Alphonsine) Duplessis, nascida há exatos 200 anos. Dessa forma, a narrativa da obra conta a história de Armand Duval, um jovem estudante de direito de Paris na metade do século XIX. Tímido e originário de uma família burguesa interiorana, o jovem apaixona-se por Marguerite Gautier, a mais cobiçada cortesã dos salões e teatros da capital francesa do século XIX. Assim, os dois apaixonam-se e a vida da protagonista é transformada pela força desse amor improvável que acaba levando-a a um destino trágico. 


O sucesso de A Dama das Camélias rendeu diversas adaptações. O próprio autor cuidou da adaptação para o teatro. O Théâtre de Vaudeville recebeu a encenação que teve sucesso imediato em 1852. Foi aí que Giuseppe Verdi teve o primeiro contato com a obra que estrearia no dia 6 de março de 1853, após colaboração com o libretista Francesco Maria Piave com o nome de La Traviata


A estreia foi um fiasco. O público que compareceu ao Teatro La Fenice, em Veneza (Itália), vaiou a criação de Verdi. Até a soprano Fanny Salvini-Donatelli (1815-1891), que interpretou a protagonista Violetta Valéry foi duramente criticada. Embora ela já fosse então uma cantora aclamada, boa parte dos espectadores zombaram de sua atuação e a consideraram muito velha (aos 38 anos) e muito acima do peso para interpretar uma jovem que morre de tuberculose. Verdi proibiu todas as demais apresentações em 1853 e, em 1854 reapresentou a obra com um elenco de sua escolha e foi um sucesso imediato, nunca mais saindo do repertório e consagrando o nome de Verdi internacionalmente.


A obra gira em torno de Violetta, que abandona a vida de cortesã em Paris para viver uma relação amorosa com o burguês Alfredo Germont. Feliz com a possibilidade de amar e ser amada, ela vende seus bens para sustentar a vida do casal no campo até que recebe a visita de Giorgio Germont, pai de Alfredo, pedindo que abandone seu filho porque o envolvimento dos dois destruiria a reputação de sua família e impediria que sua filha mais jovem se casasse. Ela termina o relacionamento e é humilhada por Alfredo em uma festa na mesma noite. Quando Germont conta a Alfredo o real motivo da separação do casal, ambos se arrependem e vão pedir perdão à Violetta mas já é tarde: Tomada pela tuberculose e empobrecida, ela morre. 


“Violetta começa no ápice, sofre um corte abrupto e mergulha na dramaticidade. É preciso encontrar todas essas cores na mesma voz. O libreto deixa claro que seu drama não tem saída, e é a música de Verdi que a humaniza, a tira do lugar de mulher objetificada”, explica Ludmilla Bauerfeldt, soprano que já deu vida à protagonista em 2023, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.


Essa tragédia romântica é embalada por árias consagradas e grande conhecidas do grande público como “Libiamo ne’ lieti calici”, o famoso Brindisi, “Sempre libera” e “Addio del passato” melodias com uma intensidade emocional e profunda relação com texto que consagraram Verdi como um dos maiores nomes do universo operístico.

“Faz 25 anos que Porto Alegre não vê uma Traviata. A última foi em 2001 quando estreei no palco como solista em uma produção do então Instituto de Cultura Musical da PUCRS. La Traviata é sempre atual pois trata basicamente de misoginia, preconceito e o seu antídoto que é a compaixão, tudo isso embalado por uma música arrebatadora. Não à toa é considerada a ópera das óperas, sempre atual. Minha decisão como encenador de situar a montagem nos 1920 do século XX é a proximidade com o momento atual que vivemos no mundo apenas 100 anos depois. A Paris da década de 1920, os années folles (anos loucos), era efervescente cultural, artística e socialmente como resposta à Primeira Guerra Mundial. As mulheres tiraram as saias de armação, os comprimentos das roupas diminuíram e cortaram cabelos curtos pela primeira vez na história. Assim como a década que estamos vivendo, com os grandes avanços sociais e de igualdade de direitos no mundo, uma grande onda conservadora contrária aos avanços das liberdades individuais ganhou força. No final da década de 1920 o fascismo ascendeu na Europa e, na atualidade, o conservadorismo, o nacionalismo e a xenofobia ocupam lugar em todos os noticiários novamente. Quem sabe se acompanhando as dores da nossa protagonista não revejamos nossos preconceitos e nossos julgamentos com quem é ou pensa diferente de nós.” Salienta o diretor cênico da ópera e presidente da CORS Flávio Leite, que começa os festejos de seus 25 anos de carreira em 2026 com o espetáculo.


O autor

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi, um dos compositores mais influentes do século XIX quase desistiu de começar. Durante o período que trabalhava na sua segunda ópera, Un Giorno di Regno, sua esposa faleceu. Abalado pela morte  e pelo fracasso da estreia, prometeu (e não cumpriu) que jamais voltaria a compor. Escreveu mais 14 óperas, dentre elas Nabucco, Il Trovatore, Rigoletto, Macbeth, Aida, Otello e Falstaff e ganhou projeção internacional incomparável. La Traviata ocupava lugar muito especial em vida para Verdi. Sua segunda companheira Giuseppina Strepponi, ex-cantora, responsável inclusive pela estreia de Nabucco, era mãe solteira e foi repudiada pelos conterrâneos de Verdi em Bussetto, cidade natal do compositor. Assim como Violetta e Alfredo, ambos se refugiaram no campo, na célebre Villa de Sant’Agata, para fugir dos olhos e julgamentos da sociedade. 


FICHA TÉCNICA

Direção artística: Flávio Leite

Direção de Formação: Eiko Senda


Apresentação

Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul

Orquestra Theatro São Pedro

Coro Lírico da CORS

Plural Cia de Dança


Direção Musical e Regência: Marcelo de Jesus

Concepção e Direção Cênica: Flávio Leite

Maestro do Coro Lírico da CORS: Sérgio Sisto


Cenário: Eduardo Menna

Figurino: Daniel Lion

Coreografia: Maurício Miranda

Iluminação: Veridiana Mendes

Visagismo: Hanny Barcellos

Pianistas preparadores e maestros internos: Patrick Menuzzi e Eduardo Knob

Assistência de direção: Henrique Cambraia


ELENCO

Violetta: Ludmilla Bauerfeldt (28 e 30/03) e Elisa Machado (29 e 31/03)

Alfredo: Giovanni Tristacci  (28 e 30/03) e Felipe Bertol (29 e 31/03)

Giorgio Germont: Lício Bruno (28 e 30/03) e Roger Bueno (29 e 31/03)

Flora: Cristine Guse

Annina: Carol Braga

Gastone: João Ferreira Filho

Barão: Oritz Campos, barítono

Marquês: Robert Willian, barítono

Dr. Grenvil: Bruno Mezzomo

Giuseppe: Adolfo Amaral

Funcionário Flora: Xavier Quiñonez

Comissário: Vinícius Braga Atores: Letícia Krenzinger, Eduardo Schenini, Jorge Luís Rocha, Maurício Sortica

Bailarinos: Andressa Pereira, Amanda Sgarioni, Andressa Fagundes, Richard Sales, Mark Adriano, Vinicius Zeferino


SERVIÇO

Secretaria de Estado da Cultura e Companhia de Ópera do RS apresentam La Traviata

Quando: 28 a 31 de março | Sábado a terça

Horários: dias 28, 30 e 31 de março às 20h, e dia 29 de março às 18h

Onde: Teatro Simões Lopes Neto (Rua Riachuelo, 1089 – Centro Histórico)


 
 
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