Terça Lírica abre sua temporada dia 14 de abril com a ópera cômica La Scala di Seta, de Gioachino Rossini
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Créditos: Vitória Proença
Programação terá ainda celebração pelos 25 anos de carreira do tenor Flávio Leite, estreia mundial de Mrs Kindersley, de Arthur de Faria e, pela primeira vez no RS, monodrama de Arnold Schoenberg
A Companhia de Ópera RS (CORS) abre no dia 14 de abril a Temporada 2026 do projeto Terça Lírica, realizada pelo Memorial do Judiciário, com La Scala di Seta (A Escada de Seda), uma farsa cômica em um ato de Gioachino Rossini, com libreto de Giuseppe Maria Foppa.
Com a direção cênica de Flávio Leite e direção musical e piano de Patrick Menuzzi, a ópera contará com a soprano Cecília Salatti, a mezzo-soprano Débora Moretti, os tenores Oséas Duarte e Adolfo Amaral e os barítonos Robert William e Vinícius Braga. O cenário será assinado pela arquiteta e cantora lírica Paula Schwartz, e a iluminação pela premiada Veridiana Mendes.
Apresentada pela primeira vez em Veneza (Itália) no Teatro San Moisè, em 9 de maio de 1812, La Scala di Seta gira em torno de Giulia, que se casou secretamente com Dorvil. Ela o recebe à noite usando uma escada de seda, enganando seu tutor, Dormont, que deseja casá-la com Blansac. Confusões amorosas e encontros escondidos no quarto levam a um final feliz, com a revelação do casamento e a união de Blansac com Lucilla, prima de Giulia.
De 1810 a 1813, o jovem Rossini compôs quatro farsas italianas, começando com La cambiale di matrimonio (A Troca de Casamento), apresentada em 2025 no projeto, e terminando com Il Signor Bruschino. Populares em Veneza no final do século XVIII e início do século XIX, as peças são intimistas, com um elenco de cinco a sete cantores, sempre incluindo um casal de amantes, pelo menos dois papéis cômicos e um ou dois outros papéis menores, sempre com um ato único. O estilo exige muita comédia visual improvisada pelos atores, mas também possuem um significativo elemento sentimental e vocalidade virtuosística.
Ao longo do ano, o Terça Lírica apresentará mais cinco espetáculos. No dia 26 de maio ocorre a estreia mundial de Mrs. Kinderslay, do pianista, compositor, produtor musical, arranjador Arthur de Faria. Ele musicou em menos de uma semana as primeiras cartas escritas por uma mulher em 1764, a inglesa Miss Jemima Kindersley, sobre o Brasil. Várias dessas cartas, enviadas a uma amiga, foram publicadas em 1777, sob o título ‘Letters from the Island of Teneriffe, Brazil, the Cape of Good Hope, and the East Indies’. A direção será da atriz e diretora Áurea Baptista com a mezzo-soprano Cristine Guse interpretando a inglesa.
No dia 14 de julho, o tenor e presidente da CORS Flávio Leite celebra seus 25 anos de carreira com o espetáculo O Amor que não diz seu nome. O espetáculo levará ao palco do auditório Osvaldo Stefanello, do Memorial do Judiciário, várias obras interpretadas por Leite, em dueto com o pianista Patrick Menuzzi e com a participação do bailarino e coreógrafo Maurício Miranda. A direção será de Camila Bauer, vencedora em 2026 do Prêmio Shell de Melhor Direção por “Instinto” (Coletivo Gompa).
Já no dia 25 de agosto, será apresentado Vilãs da Ópera – a visão da maldade sobre si mesma, um espetáculo com obras de G. F. Haendel, W. A. Mozart, L. Cherubini, G. Verdi, C. Saint- Saëns e G. C. Menotti colocando luz sobre a personalidade de grandes vilãs do repertório lírico como Rainha da Noite, Dalilah, Lady Macbeth, Medea e Salomé. O elenco contará com as sopranos Rosimari Oliveira, Yasmini Vargaz, Dêizi Nascimento e as mezzo-sopranos Carol Braga e Débora Moretti e o pianista Eduardo Knob.
Em 20 de outubro, pela primeira vez no RS, o público assistirá ao monodrama Erwartung, de Arnold Schoenberg. Escrito em 1909 a partir de libreto da médica vienense Marie Pappenheim, "Erwartung" (que pode ser traduzido como Expectativa), continua como uma das mais impactantes recriações modernas do drama lírico. A personagem feminina interpretada pela soprano Eiko Senda narra em tempo expandido seus anseios e temores ao procurar pelo amante em uma floresta iluminada apenas pelo luar. Depois de confundir um tronco com o corpo do amado, ela finalmente o encontra assassinado – não se sabe por quem (talvez até por ela mesma?). Alternando entre lamentar e blasfemar o morto por tê-la supostamente traído com outra, ela finalmente o abandona, seguindo seu caminho pela floresta ao amanhecer. O pianista Patrick Menuzzi atuará como pianista e ator. A direção ficará por conta de Carlota Albuquerque.
Por fim, no dia 15 de dezembro, a CORS apresenta pela primeira vez no RS A Longa Ceia de Natal, de Paul Hindemith, uma ópera que fala sobre a passagem do tempo através de uma família em três diferentes gerações num único espaço cênico - a ceia de Natal. A direção ficará por conta do dramaturgo, escritor e diretor gaúcho Henrique Cambraia.


